O ultimo tipo de solo:
A Boa Terra
Augusto Cury
Chegamos à boa terra, o solo que o mestre da vida queria para plantar e cultivar as mais importantes funções da personalidade. Jesus ansiava por mudar o ecossistema da humanidade, mas ele precisava do coração humano para realizar essa tarefa. O coração psicológico que representa a boa terra foi o que removeu as pedras, suportou as dificuldades da vida, lançou raízes profundas nos tempos de aridez debelou os problemas íntimos e, assim, criou um clima favorável para frutificar com abundancia. Quem representa a boa terra? O próprio Jesus disse que são os que compreenderam a sua palavra, refletiram sobre ela, permitiram que ela habitasse no seu ser. Comportaram-se como sedentos ansiosos pela água, como o ofegante ávido pelo ar, como crianças famintas pelo leite. Não eram movidos apenas pelo entusiasmo das boas novas, mas pela disposição desesperada de aprender. Devo ressaltar que esse grupo privilegiado de pessoas não era o mais inteligente, culto, puro e ético. Muitos membros desse grupo eram complicados, tinham enormes defeitos, fracassaram inúmeras vezes, mas superaram seus conflitos, deram valor ao que realmente importava, abriram seu coração ao vendedor de sonhos e aplicaram a sua palavra dentro de si mesmos. Alguns deles foram longe nos seus erros. Caíram no ridículo e ficaram decepcionados consigo mesmos, como Pedro. Entretanto, tiveram coragem de perceber suas limitações e de se esvaziar para aprender as mais profundas lições nas mais incompreensíveis falhas. Não tiveram medo de chorar e começar tudo de novo. Os jovens galileus entenderam, ao longo dos meses, que não bastava admirar Jesus. Não bastava aplaudir-lo e considerá-lo filho do Deus Altíssimo. Entenderam que segui-lo e amá-lo exigia um preço. O maior de todos os preços era reconhecer as próprias misérias. Era enfrentar o egoísmo, o individualismo, o orgulho que contaminava diariamente o território de sua emoção. Era aprender a amar incondicionalmente, a dar a outra face e não desistir de si e de ninguém, por mais que falhassem... Para o mestre dos mestres os solos não eram estáticos. Um tipo de solo poderia se transformar em outro. Jesus usava várias ferramentas para poder corrigir os solos dos seus discípulos. Ao andar com eles, ele os colocava em situações difíceis, fazia-os entrar em contato com seu medo, ambição, conflitos. Ele os treinava constantemente a “arar” a alma, a esfacelar os torrões, a corrigir a acidez e a repor nutrientes. O resultado ninguém conseguia prever. Era uma tarefa quase impossível. Jesus tinha tudo para falhar. Passado mais de um ano, os discípulos apresentavam reações agressivas e egoístas. No segundo ano, ainda perpetuavam as competições, uns queriam ser maiores do que os outros. No terceiro ano, o individualismo ainda tinha fortes raízes. No final da sua jornada, logo antes da sua crucificação, o medo ainda encarcerava os discípulos. Jesus parecia derrotado. Mas ele persistia como se fosse um artesão da inteligência humana. Ele confiou completamente nas sua sementes! Ele não era apenas um vendedor de sonhos, mas também um vendedor de esperança. As pessoas podiam cuspir no seu rosto, esbofeteá-lo, negá-lo e até traí-lo, mas ele não desistia delas. Ele acreditava no genoma das suas sementes e nos solos que cultivara. Será fascinante descobrirmos o que aconteceu. Para o mestre da vida, nenhum solo era inútil ou imprestável. Uma prostituta poderia ser lapidada e ter mais destaque que um fariseu. Um coletor de impostos corrupto e dissimulado poderia ser transformado a tal ponto que superaria no seu reino um líder espiritual puritano e moralista. Um psicopata inumano e violento poderia reciclar a sua vida a tal ponto que seria capaz de recitar poesias de amor, ter sentimentos altruístas e correr riscos para ajudar os outros. Raramente alguém acreditou tanto no seu humano. Nunca alguém entendeu tanto das vielas da nossa emoção e desejou transformar o teatro da nossa mente num espetáculo da sabedoria.



Na paz de Cristo
Pra. Rosangela Colares





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