
O primeiro tipo: o solo que representa um caminho (Augusto Cury)
Ele descreveu o primeiro tipo de solo como uma terra à beira do caminho. Esse solo estava compacto, endurecido e impermeável. As sementes que ali foram lançadas não penetraram nele e, portanto, não encontraram condições mínimas para germinar. Que tipo de pessoa essa terra representa?
Representa as que têm seu próprio caminho, as que não estão abertas para algo novo, não estão dispostas a aprender. Elas se fecham dentro do seu mundo. Foram contaminadas pelo orgulho, não conseguem abrir o leque das possibilidades dos pensamentos. Suas verdade são eternas e absolutas. O coração psicológico delas é compactado como a terra de uma estrada. São rígidas e fechadas. Quando põem uma coisa na cabeça ninguém consegue removê-la.

Quantas pessoas não conhecemos que possuem essas características? Quantas vezes não reagimos assim? Somos turrões, teimosos, não permitimos que nos questionem. O mundo tem de girar em torno do que pensamos. Os jovens discípulos possuíam uma personalidade compactada, encarcerada.
As dores, as perdas e as decepções deveriam funcionar como arados para sulcar o coração emocional, mas muitas vezes somos tão rígidos que não permitimos que elas penetrem nos compartimentos mais profundos do nosso ser. Continuamos os mesmo.

As reflexões sobre as experiências difíceis que os outras passam deveriam funcionar como a chuva serôdia, mansa e suave, para irrigar o território da nossa inteligência. Entretanto, muitas vezes, ele está tão solidificado que se torna impermeável. Não aprendemos com os erros dos outros. Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros.
As pessoas que reagem assim repetem os mesmos comportamentos, erram os mesmo erros. Nada as tira do seu caminho. Ninguém consegue levá-las a rever seus paradigmas. Ninguém consegue semear em seus corações.

Ser rígido, fechado, preconceituoso não é fruto da falta de cultura acadêmica. Há muitos intelectuais, filósofos, psicólogos, médicos que são fechados dentro de si mesmos. Eles não podem ser contrariados, têm medo de ser abrir para outras possibilidades. São infelizes. E, o que é pior, deixam as pessoas que mais amam também infelizes.
A sabedoria requer que estejamos sempre abertos às novas lições. A humildade é a força dos sábios; e a arrogância, dos fracos. Nem Jesus, com suas mais belas sementes da sabedoria e do amor, conseguia fazer germinar num solo compactado à beira do caminho. Por quê? Porque ele não invadia a psique de nenhum ser humano. Ele só trabalhava na alma dos que lhe permitam. Jesus tinha em alta conta o livre arbítrio das pessoas. Era necessário que elas se abrissem e reconhecessem seu orgulho, rigidez, arrogância, para que ele pudesse ajudá-las. Os jovens discípulos, embora inflexíveis, abriram seu ser a ele.

Ao ouvir as suas palavras e contemplar, fascinados, os seus gestos, o solo do coração deles foi sulcado e preparado para receber as suas sementes. Eles tinham enumeráveis defeitos, mas eram pessoas simples. O orgulho deles não tinha raízes tão grandes, por isso Jesus os escolheu.
Agora entendemos um pouco mais porque eles foram escolhidos. Apesar de serem tão complicados e agressivos, eles eram mais fáceis de ser trabalhados do que os fariseus. Estes, embora cultos e dosados, embora fossem aparentemente muito melhor do que os jovens galileus, estavam profundamente contaminados pelo orgulho. O orgulho é um vírus psíquico altamente destrutivo de todo e qualquer tipo de personalidade.

Os jovens discípulos começaram a sua jornada com Jesus como um solo compacto à beira do caminho. Todos passaram por esse estágio, porque eram impulsivos, ansiosos, agressivos. Do meu ponto de vista, a única exceção foi Judas. Ele era o melhor dos discípulos. O território da sua emoção e dos seus pensamentos não era tão impermeável. Judas tinha mais cultura e era mais sensato. Quando Jesus o encontrou, ele já estava no estágio seguinte. Era de se esperar que ele brilhasse mais do que os outros, mas teve um trágico fim.
As sementes que não penetram na terra são comidas pelas aves do céu, perdem a sua função, infelizmente, a maioria das sementes que recebemos não germina.

Como está o terreno da sua psique? Você consegue ser ajudado pelas pessoas que o rodeiam? Seus amigos, filhos, colegas de trabalho conseguem falar ao seu coração? Seus erros e sofrimentos conseguem sulcar a sua terra e torná-la apta para que as mais nobres sementes possam crescer?
No Amor de Cristo
Rosangela Colares

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