
A parábola do semeador: o mais excelente educador (Augusto Cury)
Certa vez Jesus contou uma parábola belíssima que sintetizava a sua grande missão: a parábola do semeador. Ele simbolizou e classificou o coração humano em vários tipos de solos. O que impressiona é que nessa história ele não usou os parâmetros dos erros, acertos, sucessos ou fracassos para nos classificar. Ele classificou o coração emocional e intelectual do ser humano pela sua receptividade, desprendimento e disposição para aprender.
Ele tinha uma visão diferente da psique comparada à da educação atual. Para ele, suas palavras não eram informações lógicas nem a memória era um deposito dessas informações. A memória era solo que deveria receber sementes que, uma vez desenvolvidas, deveriam frutificar.

Frutificar onde? No território da emoção e no anfiteatro dos pensamentos. Frutificar o quê? Amor, paz, segurança, sensibilidade, solidariedade, perdão, mansidão, a capacidade de se doar, habilidade de pensar antes de reagir. Ele conquistava o espírito das pessoas, o cerne do ser humano gerando inspiração, desejo ardente de mudança, criatividade e arte de pensar. Ele atingia algo que a educação clássica almeja, mas não atinge. Ele queria produzir pensadores.
Seu desejo não era corrigir comportamentos nem produzir pessoas que reagissem como robôs bem comportados. Ele plantava sementes no solos conscientes e inconscientes da memória de seus seguidores objetivando que elas transformassem suas personalidades ao longo da vida. Sua tarefa era gigantesca, pois seus discípulos tinham uma estrutura emocional e intelectual avariada e sem alicerces profundos.
Sua visão sobre educação e transformação da personalidade foi proferida há vinte séculos, mas é atualíssima, capaz de chocar a educação moderna.

Os solos da alma humana: o coração dos discípulos
Durante trinta anos, Jesus pesquisou atenta e silenciosamente o processo de formação da personalidade. Era um especialista em detectar nossas dificuldades. Sabia que ferimos as pessoas que mais amamos, que perdemos facilmente a paciência, que somos governados por nossas preocupações. Ao invés de nos acusar, ele nos estimula a pensar. Queria que as multidões fizessem o mesmo.
O mestre dos mestres era um plantador de sementes. Sabia que a personalidade não muda num passe de mágica. Era um educador de princípios. Era um pensador perspicaz, arguto e detalhista. Por que ele se posicionou como um semeador e comprou o coração psicológico a um solo? Porque ele não queria dar meros ensinamentos, regras de comportamentos e normas de conduta.

No Velho Testamento, as leis tentaram corrigir o homem, discipliná-lo, fazê-lo ter uma convivência social saudável, mas falharam. Apesar das leis serem normas de conduta excelentes, a agressividade, o egoísmo e as injustiças nunca foram extirpados, ao contrario, afloraram-se.
A lei e as regras de conduta tentam mudar o ser humano de fora para dentro, as sementes que o mestre da vida queria plantar objetivava mudá-lo de dentro para fora. Não há figura mais bela que um educador do que ser um semeador. Um educador que semeia é um revolucionário. Ele nunca mais tem controle sobre o que planta. As sementes terão vida própria e poderão mudar para sempre o ecossistema emocional e social.

Era isso que Jesus almejava. Ninguém sonhou mudar tanto o mundo como ele. Mas ele não usou de qualquer tipo de violência e pressão para isso. Ele sabia que a mudança só seria real se ele mudasse a ecologia da alma e do espírito humanos.
Os quatro tipos de solos que ele descreveu em sua parábola representam quatro tipos de personalidade distintas ou quatro estágios da mesma personalidade. No caso dos jovens discípulos, eles representam principalmente quatro estágios do desenvolvimento de suas personalidade na encantadora, sinuosa e intrigante caminhada com o mestre dos mestres.
Continua em 1º tipo de solo...
No Amor de Cristo
Rosangela

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