UM HOMEM SURPREENDENTE!
(Augusto Cury)

Após João apresentá-lo, todos esperavam que ELE, pelo menos,
fizesse um grande discurso.
Mas optou pelo silêncio. Entrou nas águas do Jordão e quis
cumprir o símbolo do batismo.
Deixaria de ser o carpinteiro de Nazaré,
mudaria sua rota depois de trinta longos anos de
espera e se tornaria o mestre dos mestres, o mestre da
sensibilidade, o mestre da vida, o mestre do amor.

Ensinaria o mundo a viver.
João se recusou a batizá-lo. Um rei não poderia abaixar-se
diante de um súdito, pensava João. Mas o rei se abaixou.
Esse é mais um paradoxo. Ele entrou calado e saiu calado.
O mestre dos mestres não tentou convencer a
multidão da sua identidade.
Tinha uma oportunidade ímpar para impressionar
as multidões, mas se calou. Muitos compram colunas sociais.
Amam aparecer. Jesus, embora fosse muito visível,
apreciava o anonimato. João ficou maravilhado com
sua humildade, mas a multidão ficou confusa.
O choque foi inevitável. As pessoas saíram de cena,
e tiveram insônia. O sonho delas havia se esfacelado.

Jesus de Nazaré entendia de madeiras e pregos.
Não parecia ter sabedoria para envolver as pessoas.
Mas quando abriu a sua boca, todos ficaram perplexos.
João, um brilhante orador ficou pequeno diante da
profundidade de sua eloqüência.
Ele foi um dos maiores oradores de todos os tempos.
A coragem e a gentileza se entrelaçavam na sua oratória.
Raramente alguém foi tão sensível e destemido na terra da
censura. Falar contra o sistema político e o sinédrio
judaico geravam tantas conseqüências quanto falar
contra Saddam ou Stalin na época em que estavam no poder.

Sua inteligência era assombrosa.
Ele falava com os olhos e com as palavras.
Suas aulas encantavam. Ninguém resistia ao fascínio
dos seus discursos. Ele encantava prostitutas e
intelectuais, moribundos e abatidos.
Suas palavras incomodavam tanto que geravam
ódio por parte dos fariseus. Depois que o mestre dos mestres
apareceu, os intelectuais da época desapareceram de cena.

Apesar de odiá-lo, os fariseus caminhavam longos dias
para beber um pouco da sua intrigante sabedoria.
Eles perguntavam inúmeras vezes: “quem és tu”, “até quando
deixará nossa mente em suspense?”.
Quanto mais perguntavam, mais eram vítimas da dúvida.
Eles queriam sinais, atos miraculosos, como
a abertura do Mar Vermelho. Mas o delicado mestre queria
a abertura das janelas da inteligência.
Os fariseus chegavam sempre antes ou depois das cenas
sobrenaturais acontecerem. Eles nunca o entenderam, pois não
falavam a linguagem do coração, não sabiam decifrá-lo
com uma mente multifocal, aberta, livre.
Hoje, Jesus reúne bilhões de admiradores,
mas ainda permanece um grande desconhecido (para muitos).

Você consegue decifrá-lo? Procurar conhecê-lo é
o maior desafio da ciência, é a maior aventura
da inteligência!

No amor de Cristo
Rosangela Colares




Produção:Rosangela Colares


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