
DOIS GRANDES ERROS E DOIS DESTINOS
"Pedro não cometeu erros menos graves do que o de Judas. Judas o traiu por trinta moedas de prata, e Pedro o negou contudentemente para três pessoas de baixa posição social. Na terceira vez que Pedro negou, ele dissse palavras que não foram escritas nos evangelhos, mas os autores apontaram a sua seriedade. Um traiu, outro negou. Os dois erros foram grandes e graves. Todavia eles geraram dois destinos. Vejamos.
Ambos choraram intensamente. Ambos tiveram um dramático sentimento de culpa. Pedro amava intensamente a Jesus, e Judas o admirava fortemente. O amor de Pedro resistiu ao drama da culpa e a admiração de Judas suncumbiu a ela.

Pedro recordou que Jesus disse que o negaria e Judas, que ele o trairia Pedro foi alcançado por um olhar de Jesus. Judas teve um privilégio maior, Jesus o chamou de amigo no ato da traição. Pedro compreendeu o olhar de Jesus. Judas não compreendeu a palavra "amigo". Judas não conpreendeu sua conpaixão. O resultado?
Pedro se perdoou, Judas se puniu. Cada gota de lágrima que Pedro derramou produziu uma amarga lição de vida, e cada gota de lágrima que Judas derramou produziu um amargo sentimento de culpa. A dor de pedro arejou sua emoção o fez compreender a sua fragilidade. A dor de Judas sufocou sua emoção e tornou-o uma pessoa indigna.


Judas cortou relações sociais com todos. Pedro não se isolou diante da sua dor. Ele teve a coragem de contar a seus amigos o seu erro. Por isso sua negação foi comentada nos quatro evangelhos e foi alvo de inúmeras conversas entre os primeiros cristãos. Todos se viram em Pedro. A sua história revela um homem que aprendeu a ser grande por enxergar a sua pequenez.
Somente os grandes homens enchergam o quanto são pequenos. Semanas mais tarde, após a morte de Jesus, Pedro teve reações inusitadas. Ele havia negado Jesus para pessoas simples, mas o livro de atos revela que ele se levantou e falou publicamente para milhares de pessoas sobre seu amor por ele. Ele incendiou o amor das pessoas pelo o seu mestre.

Após esse fato, Pedro foi preso diversas vezes, mas não o negou. Esteve diante dos mesmos homens do sinédrio que espancaram Jesus, mas, dessa vez foi seguro e eloquente. Ele os fitou e disse que Jesus tinha ressucitado, que Ele o inimaginável, o caus da morte.
A superação da morte de Jesus é uma notícia maravilhosa, mas entra na esfera da fé, transcende a investigação da ciência. Estrapola a análise proposta por essa coleção. O meu ponto aqui é ressaltar que pós a morte de Jesus, o Pedro tímido e amendrontado se converteu num homem destemido, imbatível.
Se Pedro não tivesse negado Jesus talvez ele não tivesse reeditado algumas áreas doentias da sua personalidade. Todavia, após ter conhecido seus limites e aprendido a chorar, seu espírito humano foi preenchido com um amor indescifrável. Esse amor penetrou em cada área da sua alma e o transformou pouco a pouco num homem dócil, amável, gentil, tolerante.

As duas cartas que escreveu no final de sua vida refletem a sua mudança. Revelam um pensador sencível, arguto e afável.
Ele comentou nos seus escritos que devemos nos amar ardentemente com um amor não fingido. Ele disse que devemos nos despojar de toda a inveja, maldade e dolo. Comentou algo surpreendentemente que Jesus vivia no secreto do seu ser. E foi mais longe, disse que a dinâmica das relações sociais deve mudar, que não devemos pagar mal por mal, injúria por injúria.
A emoção de Pedro destilava sencibilidade.
E terminou como o mais poético dos escritores: "Saudai-vos uns aos outros com um beijo (ósculo) de amor. Paz para todos os que se acham em Cristo".

Na sua juventude, Pedro era um homem que não admitia desaforos. Era difícil enchergar sencibilidade nos seus gestos. Ele era capaz de usar a espada se fosse contrariado, mas o jovem irritado e insencível transformou-se num poeta da solidariedade. Ele termina sua mais longa carta sem críticas, cobranças, apontamentos de defeitos, termina despedindo-se numa forma sublime com beijos".(ósculo santo).O Mestre inesquecível – Augusto Cury
No Amor de Cristo
Rosangela Colares
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