A imagem formada no inconsciente coletivo.
(Augusto Cury)


Tempos depois da morte de João, Jesus o elogiou
eloqüentemente.Ele disse aos seus discípulos que
entre os nascidos de mulher, ou seja, entre os
seres humanos, ninguém havia sido igual a ele
em capacidade, coragem, determinação, paciência .


Antes de Jesus aparecer, os ouvintes de
João desenhavam no seu imaginário o Messias, o
“ungido” de Deus que libertaria o homem do seu
cativeiro exterior e interior. Há mais de sete
séculos, o respeitado profeta Isaías havia comentado
que um dia o Messias viria, mas o tempo passou e
muitas gerações tombaram sem vê-lo. As palavras de
Isaías se transformaram em um delírio para Israel.
Israel era uma nação escrava. De todas as nações,
Israel era a única que não se submetia facilmente
ao controle de Roma.

Israel era um corpo estranho para o império
e precisava de um cuidado especial. Eles faziam
freqüentes motins e o império reagia com violência.
Os israelitas sonhavam com um grande Messias,
sonhavam com um grande libertador.
As palavras de João Batista alimentavam
esse ardente desejo. Cada citação que João fazia
era registrada no centro da memória dos seus ouvintes,
gerando no inconsciente coletivo a imagem de
um super-herói. O homem que João anunciava, gerou uma
expectativa e a expectativa em esperança em milhares
de pessoas. As pessoas castigadas pela fome e doentes
na sua alma estavam ansiosas para conhecê-lo.

João representava os frágeis raios solares
que inauguram o mais belo amanhecer. Depois de uma
longa noite de medo e inseguranças, muitos judeus
voltaram a suspirar e a sorrir. Mas o tempo passava
e o Messias não aparecia. Quando se produz intensa
expectativa há três conseqüências.
Se as expectativas não correspondem, gera-se
frustração.
Se as expectativas correspondem, gera-se um
tímido prazer.
Se as expectativas ultrapassam o que foi inscrito no
inconsciente, gera alegria, um júbilo.
O que Jesus provocou? Os dois extremos.
Gerou frustração, porque não se colocou como
super-herói, mas como filho do homem. Gerou
também exultação porque nunca alguém fez o que
ele fez ou falou o que falou.

PORQUE ELE VIVE POSSO CRER NO AMANHÃ.
Cristo ressuscitou, venceu a morte sem usar suas
armas, e por seu amor poderoso e transformador
é que podemos nos tornar depositários da mensagem
vivificante da salvação. Pela fé na ressurreição
é que assumimos o compromisso de viver para
transformar essa realidade em que vivemos.
O Cristo ressurreto não é uma mágica,
mas uma continuidade da coragem e da ousadia do
Jesus Histórico, que continua a caminhar conosco,
firmando nossos passos, sensibilizando nosso olhar,
mobilizando de amor as nossas mãos e derramando o
óleo precioso e perfumado da unção do Espírito sobre
o nosso ser.

Sejamos nós a expressão da presença da vida,
junto às pessoas, sejamos cheios da vida plena,
a espalhar por onde andarmos a boa nova da presença
de Cristo, curando, transformando, sustentando e
encorajando todos e cada um na perspectiva de uma
viva e permanente esperança.


No amor de Cristo

Rosangela Colares


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