Vamos falar um pouco de Sara, na visão judaica.

Sara a primeira matriarca do povo judeu.
A espiritualidade de Sara supera a de Abraão em sua habilidade de identificar a pureza de uma alma.

Nasceu na Mesopotâmia, no século XIX antes da E.C. Chamava-se Sarai, que significa “minha princesa”, e era filha de Haran, irmão de Abraão. Sara casa-se com Abraão, dez anos mais velho que ela, acompanha-o de Ur para Harã e mais tarde para Canaã, sempre levando seu irmão Ló. Devido à sua incomparável beleza é identificada na Agadah como “Iscah”, que quer dizer “olhar”, pois jamais existiu beleza igual à dela. Sua formosura era tão renomada que, recentemente, foi encontrado um texto nos pergaminhos do Mar Morto, descrevendo com detalhes a incrível perfeição de seus traços.

Nossos primeiros patriarca e matriarca são símbolo de união, confiança e respeito entre o casal. Tinham os mesmos ideais elevados. Em sua tenda, Sara ensinava monoteísmo às mulheres, enquanto Abraão pregava aos homens. Este estava sempre pronto para receber com honras os visitantes que passavam por sua tenda e Sara apressava-se em servi-los com esmero. Formavam um par indivisível que, lado a lado, atuava na vontade do Criador. Sara transformou seu lar em um santuário espiritual e foi merecedora de três milagres que se mantiveram em sua tenda até o dia de sua morte. Uma nuvem protetora, representando a presença Divina, permanecia constantemente sobre sua tenda. A massa com que ela preparava o pão era abençoada, de modo que seus convidados comiam e ficavam saciados por muito tempo. Ela estava repleta de qualidade espiritual que sacia muito mais do que a fome física. Finalmente, suas velas permaneciam acesas de um Shabat a outro. A chama da santidade nunca se extinguia ou diminuía.

O lar judaico é considerado por nossos sábios como o microcosmo do Beit Hamikdash(O Templo de Jerusalém em hebraico בית המקדש, é o nome dado ao principal centro de culto religião do antigo povo de Israel, onde se realizavam as diversas ofertas e sacrifícios conhecidas como o korbanot). De fato, os milagres do lar de Sara têm paralelo com os do Templo Sagrado. Em ambos a presença Divina se manifesta. Tanto na tenda de Sara, quanto no lar de Deus. O pão do Templo permanecia fresco por toda a semana e era fonte de sustento e prosperidade para toda a nação. A chama das velas da Menorá a oeste do Templo permanecia acesa até sua substituição no dia seguinte. Irradiava da tenda de Sara a potencialidade ilimitada de todo lar judeu. A Torá nos conta que, devido a um período de grande fome na Terra de Canaã, Sara e Abraão, obedecendo uma ordem Divina, dirigem-se ao Egito em busca de comida. Abrão logo nota a baixa espiritualidade daquele povo e pede a Sara que diga ser sua irmã, pois teme que por causa de sua grande beleza eles o matem para tomá-la. Antes disso, porém, ele a esconde em um grande baú, o que acaba por despertar a curiosidade dos guardas alfandegários egípcios. Abraão lhes oferece qualquer valor em troca de preservar o baú fechado. Os guardas, porém, forçam-no a abri-lo e ficam maravilhados com a extraordinária beleza daquela mulher. Ela tinha na época 65 anos e a beleza de uma mulher de trinta.

Como Sara e seu marido haviam combinado, ela diz aos egípcios que deseja se casar com um homem abastado que obtenha o consentimento de seu “irmão”. Para conceder a mão de Sara, Abrão exigiu uma imensa fortuna, para que ninguém pudesse pagar. O que ele não previu é que o Faraó a desejasse, pagasse a quantia exigida e a levasse ao seu castelo. Assim mesmo, nosso patriarca não temeu por sua esposa, pois sabia que a Presença Divina estava com ela. Sempre que o Faraó se aproximava de Sara, ele enfermava. Todos os moradores do castelo foram atingidos por terríveis infecções de pele e o próprio Faraó ficou impotente. Ele não podia tocar em Sara, pois Deus a protegia para garantir que ela cumprisse a missão que apenas uma mulher justa, de sua posição, poderia. O Faraó não tardou em perceber o que ocorrera. Temendo o Deus de Sara, deixou que ela partisse com seu marido levando as riquezas adquiridas no Egito, além de sua filha Agar como escrava. Fato muito semelhante a este volta a acontecer mais tarde com Abraão e Sara em Gerar (pouco antes do nascimento de Isaque), cujo rei Abimeleque também a deseja, mas, a exemplo do rei do Egito, assustado, acaba por deixá-los partir com muitas riquezas. Sara era estéril e, após muitos anos de casamento, em um ato de abnegação, pede a Abraham que se deite com sua escrava Agar para que ele possa ter um filho e, portanto um herdeiro. Abraham consente e nasce Ismael. Agar, torna-se arrogante e passa a sentir-se superior. O relacionamento entre elas torna-se insuportável e Agar foge, mas um anjo intervém e a convence a aceitar Sara como sua ama, servi-la e respeitá-la.

Binah: Poder de uma mulher
Os comentários do Talmude (no Gênesis 2:22) essas mulheres possuem algum poder que, quando cultivado corretamente, excede suas contrapartes nos homens. Este poder intelectual é chamado binah, uma palavra derivada do bein Hebrew da raiz, que significa “no meio.” Binah se situa no topo da coluna esquerda. É o entendimento. É a lógica que dá definição à inspiração e energia ao movimento. Analogamente, é o lado esquerdo do cérebro, onde funciona a razão, organizando o pensamento em algo concreto. Possui a energia da água associada à feminilidade e também representa o futuro. As matriarcas bíblicas usaram o atributo de o binah para criar o povo israelita. No livro de Gênesis, nós lemos sobre Sarah, idade 90, e Abraão, idade 99, que devotaram suas vidas espalhando, idéias monoteísticas, a um mundo embebido na adoração do ídolo. O par é desprovido de filhos, e Sara incentiva Abraão fazer exame de uma segunda esposa, sua empregada Hagar, de modo que haja uma outra geração para continuar seu trabalho importante. Hagar dá o nascimento a um filho, Ismael. No ínterim, Deus permite que Sara seja conservada, em sua idade avançada, dá o nascimento a Isaque. Assim há agora duas crianças masculinas na casa de Abraão: Filho de Sara, Isaque, e de Hagar, Ismael. O Torah diz-nos que Ismael se considera o herdeiro legítimo da família. Isto significa que, além à riqueza da casa, Ismael reivindica o título ao legado espiritual estabelecido por Abraão e por Sara. Como o patriarca seguinte, Ismael seria carregado com continuar a espalhar o conceito monoteísta novo do Judaísmo. Sara não suporta ambições de Ismael.

Sara tem a grande percepção no que diz respeito a sua personalidade fundamental e prevê que girará eventualmente para a adoração, o assassinato, etc... Mais tarde alguns acontecimentos provam que ela estava certa, mas então Sara sozinha percebe que Isaque deve ser o patriarca seguinte e que Ismael deve ser removido da casa. Somente com o desaparecimento da vontade negativa. Isaque longe da influência de Ismael poderia herdar com segurança a nação israelita. Abraão discorda fortemente com a avaliação de Sara. Não está ainda pronto para ver Ismael fora da casa, não vê nenhuma prova real do caráter pecaminoso do menino. A natureza verdadeira de Ismael está desobstruída somente a Sara. Neste destino, o Torah diz-nos que Deus intercede no interesse de Sara e os comandos Abraão “escutam sua voz em tudo que lhe diz. É através de Isaque que você ganhará a posteridade”. Gênesis 21:12:Deus, porém, disse a Abraão: Não pareça isso duro aos teus olhos por causa do moço e por causa da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. Na extremidade, devido a previsão de Sara, a segunda geração da pessoa israelita ascendente é fixada. A decisão de Sara para expulsar Ismael não era o resultado do favoritismo para Isaque, seu filho biológico. Ali era o binah, qual permitiu Sara agir assertivamente para o bem da nação israelita.

As matriarcas Sara, Rebeca, Rachel, e Lea construíram a nação Israelita de dentro. Cada mulher possuiu a habilidade de ver o que não era óbvio aos patriarcas, é por isso que há uma nação Israelita hoje. O traço do binah, a habilidade de analisar, distingue, e sabe desse modo à realidade espiritual de algo, requer o esforço tremendo e, sem exceção, é a qualidade no conhecimento da Torah. Então e agora, as mulheres israelitas com uma compreensão profunda da Torah usam o binah com categoria e compreende experiências e situações novas. Finalmente, o binah fêmea, é o significado de como se funciona a verdade e a clareza.

Cada mulher pode hoje cultivar e se sobressair nesta aptidão. Binah é uma herança das mulheres e um presente, a suas famílias, a suas comunidades, e a sociedade ao todo. Pesquisa em parte: Revista Morashá - Artigos



Um abraço carinhoso,
Rosangela Colares


Revista Morashá - Artigos


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